A busca por qualidade de vida e bem-estar tem levado cada vez mais profissionais a deixarem seus empregos, especialmente os jovens em posição de liderança. Um estudo global realizado pela consultoria McKinsey revelou que 31% de jovens entre 18 e 34 anos podem abandonar seus cargos de alta gestão, enquanto profissionais com mais de 35 anos representam 14%.
Essa tendência é ilustrada pela história de Antonella Vanoni, uma designer de produto que, aos 27 anos, decidiu pedir demissão de um cargo de alta gestão na área de marketing devido ao estresse e ao diagnóstico de burnout. Antonella é parte de uma crescente parcela de profissionais que estão repensando seus padrões de sucesso e priorizando um estilo de vida mais equilibrado.
Os motivos para desistir de altos cargos envolvem fatores como ausência de oportunidades de desenvolvimento, insegurança psicológica, inflexibilidade e falta de propósito. A professora de liderança convidada da Fundação Dom Cabral, Livia Mandelli, explica que o período pós-pandêmico se revelou um terreno fértil para provocar pessoas que podem escolher se manter – ou não – em determinado emprego.
No entanto, a professora pondera que é preciso compreender o que é, de fato, o conceito de bem-estar para cada indivíduo. “Não é ficar no parque o dia inteiro olhando para os pássaros. Você tem uma questão interna das pessoas entenderem o porquê estão se levantando da cama todos os dias e se vale a pena fazer o que estão fazendo.”
A diretora do Instituto Feliciência, Carla Furtado, afirma que os modelos de cultura organizacional e liderança calcados no imediatismo têm impacto na saúde mental do colaborador. “Os líderes estão sob tamanha pressão e nível de instabilidade, que essa insegurança escala no comportamento deles juntos às equipes e vira uma grande ansiedade coletiva.”
Furtado sugere que a solução está na forma como as organizações pensam e estruturam a cultura corporativa. “Esgotar as pessoas significa impedir a sustentabilidade do negócio”, sugere. Mandelli projeta que um novo modelo de liderança irá surgir e que as organizações devem enfrentar o desafio de garantir qualidade de vida dentro do ambiente de trabalho sem abdicar dos resultados.
No entanto, a professora ressalta que a capacidade de deixar o emprego em busca de qualidade de vida não é uma realidade para todos. “Muitas pessoas trabalham para sobreviver. Então [essa população], infelizmente, precisa ganhar dinheiro fazendo o que for, com o tipo de toxicidade que existe, mesmo colocando toda a saúde mental em risco.”
Essas histórias e dados mostram uma mudança significativa na forma como os profissionais estão avaliando suas carreiras e o que eles valorizam no trabalho. A busca por bem-estar e qualidade de vida está se tornando cada vez mais importante, e as empresas precisarão se adaptar a essa nova realidade para atrair e reter talentos.









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